Onze de Julho - paralisageral

O Brasil voltará às ruas! É o que promete as chamadas em redes sociais e mobilizações por todo território nacional para este dia 11. 
O povo está indignado porque nada está sendo feito, como se todo o esforço da população em chamar a atenção, por vários dias em junho, fosse totalmente em vão. Houve promessas, mas as atitudes não aparecem. 
No facebook, a maior rede social da atualidade, páginas como a Anonymous Brasil, Acorda Brasil e Movimento Contra a Corrupção, entre outras, estão aguçando e mobilizando a sociedade para fazer o que chamam de "a maior paralisação nacional" para cobrar os resultados prometidos e novamente reafirmar os pontos que ainda não foram sequer comentados pelo plenário.

A Força Sindical confirmou que 11 estados irão aderir a greve nacional, e outros estarão se reunindo ainda hoje para decidir se vai ou não aderir a greve, outras 6 centrais sindicais também estão envolvidas na organização das paralisações criando pautas com reivindicações e denúncias.

Com o apoio dos sindicatos, a paralisação tem muito mais chance de ser um sucesso, ao contrário do movimento criado em primeiro de julho que, por ter sido apenas um motim do povo, não obteve nenhum resultado. A expectativa agora é outra, embora circulam rumores que a população esfriou e que, com o fim da copa das confederações, as manifestações também se findaram. 

Como já disse, eu sou totalmente a favor ao movimento. Sinto-me orgulhosa de ver o país inteiro se revoltar contra o oportunismo e a salada política nacional e agora, com o apoio, meio que tardio, dos sindicatos, acredito que haverá mais uma razão para todos darem um grito de basta e retomar as rédeas da nação. 

É interessante observar que tem se falado muito em reforma política que "é o nome dado ao conjunto de propostas de emendas constitucionais e revisões da lei eleitoral com fins de tentar melhorar o sistema eleitoral nacional, proporcionando, segundo seus propositores, maior correspondência entre a vontade do eleitor ao votar e o resultado final das urnas". Já tivemos propostas (e promessas) de realizar essa reforma diversas vezes, em 1992, 1997, 2005 e 2011 são alguns exemplos, mas nunca ocorreram de fato jamais deixando de ser um mero projeto. Agora, com todo esse barulho do povo, a presidente propõe novamente realizar tal reforma, solicitando para isso um plebiscito (convocação dos cidadãos que, através do voto, podem aprovar ou rejeitar uma questão importante para o país. Ou seja, o plebiscito é um mecanismo democrático de consulta popular, antes da lei ser promulgada) que custará, em média, 11 milhões aos cofres públicos, por se tratar de uma reforma política, não é um meio viável de consultar a população, além disso, muitos dos votantes podem não "entender" as questões propostas no plebiscito manipulando assim o voto pela falta de conhecimento político. Já o referendo (instrumento da democracia semidireta por meio do qual os cidadãos eleitores são chamados a pronunciar-se por sufrágio direto e secreto, a título vinculativo, sobre determinados assuntos de relevante interesse à nação) seria o ideal nessa situação, pois primeiro os parlamentares criam as leis da reforma e depois o povo viabiliza, ou não, através da manifestação democrática. Acontece que, apesar da câmara ter enterrado a ideia, o governo ainda insiste nessa reformulação. Acredito eu que não passa de mais uma jogada política para enganar e manipular o povo que, em suma, não saberia exatamente em que estaria votando e digo ainda que esse deveria ser um dos temas que a classe trabalhadora deveria levantar, pois não adianta sermos ouvidos apenas para repetir o que o governo quer.

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