Saturno - Capital Inicial

Capital Inicial nos presenteia com mais um álbum. Como acontece sempre, há algumas músicas que eu relativamente criticarei por seu ritmo e estrutura, no entanto "Saturno" é um disco cheio de vertentes e com músicas que destacam o romantismo e e questionamentos políticos, com faixas inéditas pra trazer de volta a energia dos velhos tempos. 


“Esse disco é um pouco mais pesado, com tons mais escuros”, explica o baterista Fê Lemos. Para ele, assim como no disco de estreia, de 1986, a política brasileira foi um bom combustível para as composições, daí esse clima meio soturno. “Esse momento é de certa desilusão do que pareciam ser mudanças no País. O sonho de igualdade, a gente vai se aproximando e ele vai se afastando. O disco não traz soluções. Ele aponta um vazio, uma falta esperança”, complementa em meio a uma série de opiniões políticas que, segundo o músico, representam o consenso da banda.

O resultado desse vazio político sentido pelo Capital é um disco nervoso, urgente, forjado basicamente com baixo, bateria e guitarra. Apesar de ter sido apresentado às rádios pela balada “O lado escuro da lua”, sete das 11 faixas de Saturno são feitas a base de pancadaria e riffs. Nesse ponto, palmas para “Saquear Brasília”, uma das nove parcerias de Dinho Ouro Preto com Alvin L, espécie de irmão gêmea de “Veraneio vascaína”. Ainda no quesito referência, “Água e vinho” remete a “Fátima”, uma daquelas do espólio do Aborto Elétrico que ficou o Capital Inicial.

O nome Saturno, segundo Fê Lemos, foi escolhido também pensando nesse clima pesado do disco. “Ele era um deus severo”, explica. Coincidência ou não, ele acrescenta que depois de ter o trabalho batizado, descobriu que o planeta Saturno leva 29 anos para dar uma volta ao redor do sol, exatamente a idade da banda. Segundo o release, além dessas, outras simbologias se espalham pelo disco, como a já citada “O lado escuro da lua”, que remete ao clássico do Pink Floyd, The dark side of the moon. Já o rock que abre o disco, “O bem, o mal e o indiferente”, traz referências aos livros O bom, o mau e o feio, de Sergio Leone, e Cem anos de solidão, de Gabriel Garcia Marquez.

De fato, boa parte dessas referências passam despercebidas e só devem chamar atenção naqueles que ficam buscando mensagens secretas até onde elas não existem. Ainda mais por que, como em boa parte da produção roqueira nacional, as letras nunca foram o forte do Capital Inicial. Ainda assim, eles não se negam o direto de buscar imagens fortes para suas letras (“Nas paredes brancas do quarto sobrou poeira suja em torno dos quadros”, contam em “Poucas horas”). De fato, quanto mais sujos e punks eles soam, melhor fica (mais um ponto para “Saquear Brasília”). Ainda assim, é digno ver que estes senhores, todos com mais de 40 anos, continuam dispostos a encarar o rock com crueza e dignidade. E, melhor, no lugar de olhar para olhar para o passado, permanecem firmes na luta, pensando no futuro.
Algumas informações foram tiradas de: Jornal O Povo


Ouça O Lado Escuro da Lua

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