Como a Vida Passa!

Estou sentindo algo sufocar dentro do peito, fazia tempo que essa ardência, quase insignificante, não incomodava tanto. Parada por alguns segundos diante da tela do pc, fico observando as pessoas entrarem e saírem do msn e facebook, quase frenéticas... as pessoas estão carentes, e eu, odeio admitir, também estou. Mas não sinto uma carência de bater papo virtual, de conversar com pessoas à distância, sim, isto é bem legal... mas chega um tempo que amigos virtuais são apenas amigos virtuais, não satisfaz. 
Abro um parentese, aproveitando que entrei nesse assunto, para salientar que hoje a internet está muito vazia. Para algumas coisas o progresso não trás muitos benefícios, e nesse caso, os relacionamentos pela net, outrora já vazios, frios e decadentes de realidade, hoje estão simplesmente escassos e, os poucos que ainda restam, sinceramente não vale a pena. Há alguns anos atrás era capaz de passar uma noite inteirinha na internet, batendo papo, conhecendo pessoas, criando outras... vendo fotos, vídeos, livros... me pergunto onde foi parar tanta informação, ou simplesmente se sou eu que passei a me interessar por outras coisas. Uma coisa confesso,  não tenho mais paciência para baixar um filme ou música, diante de tanta publicidade incluída no meio, a internet virou o mais poderoso meio de atrair público comercialmente, seja sobre que for, só não sei dizer se isso é realmente bom. As vezes sinto falta da simplicidade que ainda podia encontrar por aqui... 
Bom, mas voltando ao assunto, acho que a vida está avançando rápido de mais, as coisas estão passando e as vezes me pergunto onde é que eu estou que não estou vendo nada acontecer. Quando me dou conta, tudo passou e só permanece o vazio inquietante dentro do peito. Olho em volta, não há sol nesse verão... Sou um pouco nova (ainda) para ter uma crise de meia idade, mas me sinto velha. Sinto que perdi alguma coisa, não sei quando tudo ficou tão cinza, tão seco, não consigo me acostumar com a velocidade que os sentimentos nascem, e a mesma velocidade com que morrem. Talvez eu esteja só em um daqueles momentos de nostalgia extrema, mas porque ninguém mais fala de música ou de cinema? É só impressão minha ou as pessoas não estão tendo mais tempo de ler romances, de viajar neles, de sonhar com eles? Estou me sentindo assim, sem tempo para apreciar um bom livro e um gole de café, a vida está me sufocando... Talvez por isso acho que as pessoas também estão "correndo de mais". 
Existe um poema de Mario Quintana que diz: 
" A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa. 
Quando se vê, já são seis horas! 
Quando de vê, já é sexta-feira! 
Quando se vê, já é natal... 
Quando se vê, já terminou o ano... 
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida. 
Quando se vê passaram 50 anos! 
Agora é tarde demais para ser reprovado..."
E é triste perceber que o poema é bem realista, percebemos o valor das coisas quando a ausência começa a chamar atenção dentro do peito, quando fechamos o olhos e de repente uma lembrança que não se sabe nem de onde vem invade a mente com um perfume suave, nem sabemos onde é que perdemos, mas lembramos de algo que deixamos para trás com saudade, com vontade de parar o tempo naquele momento e reviver, com um pouco mais de atenção. 
Seria bom se tivéssemos outra chance, como no filme "Click", de acordar e poder viver de verdade aquilo que deixamos passar despercebido, por ambição, por medo, por até mesmo não acreditar... Mas na vida real o que temos e a memória, recortes antigos, fotos, músicas... é tudo que podemos usar para, voltar um pouco no tempo e perceber que, passou coisas importantes e eu nem me dei conta... 
Hoje reli cartas antigas, ouvi aquelas músicas que me fazem voltar, olhei fotos, li poemas... talvez agora escreva uma carta de amor, peça uns segundos a mais no tempo e viva nada mais que o hoje.

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