E eu com isso?

As drogas vêm ganhando espaço diante de nós. Há algum tempo atrás essa era uma realidade muito distante da maioria das pessoas, cunhava predominantemente entre gente de classe baixa que recorria a esse meio, muitas das vezes, para aliviar a discriminação social e alimentar uma realidade inventada. Outras vezes até mesmo para sustento próprio, devido às condições precárias de sua existência. Claro que estou generalizando, e sei que antes mesmo, já havia aqueles "cegos" pelo poder e dinheiro que sustentavam o tráfico, mas o que quero ressaltar é que hoje, esse quadro está muito invertido e pessoas de todas as classes, todo tipo de instrução e de cultura, estão enveredando por esse caminho.
Hoje existem mais recursos, mais comunicação, mais conectividade e muito mais facilidade para entrar no universo das drogas. Uma contradição irreverente eu diria, pois com tanta informação e tecnologia podia estar mobilizando a sociedade e alertando para os perigos de se embarcar “nessa onda”. Já reparam como as campanhas contra as drogas estão escassas da mídia? E as reportagens que relatam a realidade dessa população? Quando tem, é uma reportagem vazia e que não mostra a verdade nua e crua referente a esse martírio. Não é interessante para a mídia bater nessa tecla. As pessoas que estejam mesmo alienadas e vazias enquanto o “sistema” segue com suas rotinas escrotas de manipulação.
Impressionei-me, ao pesquisar na internet, a escassez de informação que há nesse ramo. Existem muito, campanhas idealistas e sensacionalistas, mas a informação de conteúdo está debilitada. A sociedade “legalizou” o seu conceito sobre as drogas e ficou por isso mesmo. Hoje em dia, ser “usuário” é ter status. Não se vê mais mobilizações para combater esse mal. Há tantas outras “preocupações” que falar sobre drogas é clichê e perca de tempo.
O que muitos não percebem é que a sociedade em si está gritando, implorando por um pouco de atenção e por socorro. Duvida de mim? Dê uma passada pelas redes sociais e perceba o número de mensagens que reportam a nostalgia de um período que, hoje, parece que foi a milhões de anos. Jovens que referem “ao seu tempo” como se fosse uma realidade inalcançável e, nem tem tanto tempo assim. As coisas é que mudaram numa velocidade alarmante o que nos impede de acompanhar tanta mutação em tão pouco tempo. Diante disso, nos resta fugir... E não é fugir no sentido real da palavra, mas dar uma “escapadinha” para um mundo paralelo, em que é necessário se esconder para respirar um “ar mais puro”.
Convivo com usuários das mais diversas drogas e, embora sempre se mantenham na pose do “nada me abala” ou do “sou livre para fazer o que eu quero”, todos eles tem um olhar distante, uma ânsia que permeia sua existência e que, nem eles mesmos sabem de onde vem. Enquanto estão ali, no meio da galera, se drogando eles se sentem donos de si mesmo, do seu mundo, mas e quando entram no vazio do seu quarto, onde não há ninguém para compartilhar uma “viagem” alucinante que só existiu para eles mesmos... quando todos vão embora e fica só o vazio e a sensação de falta de domínio, o vício... o arrependimento de ter entrado pela porta errada e não consegue enxergar ninguém com o cuidado e a paciência para lhe indicar como voltar. Quando vêm as críticas, os julgamentos de uma sociedade hipócrita, a revolta, o medo... a decepção. Eu percebo, em meus amigos, a ansiedade por querer ser diferente habitando junto com o medo de falhar... e eu apenas os entendo, na maioria das vezes simplesmente me silencio junto a eles.

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