Mudanças

A vida nos proporciona experiências que vão além dos versos, das canções, da literatura... é algo que vem de dentro, de algum ponto na gente que, de repente nos faz sentir o impacto daquilo que está lutando para "sair" de nós. Não, não é algo como a troca de um olhar ou uma mudança de direção, é mais como mudar as paisagens, pouco a pouco, e só percebermos quando nos é imposto um espelho.
Espera aí! Não é só a imagem de mim mesma que está debilmente alterada, mas tudo em volta está diferente. Então o ponto chave do contexto nem é o espelho, mas são os fatores que produziram as imagens diante dele e, o mais importante é: o espelho sempre esteve no mesmo lugar, mas enquanto estive perdendo tempo não querendo aceitar as divergências, inutilmente, não via a influência que cada situação causou ao absoluto em que interagiu. É, foi preciso mudar de lugar, foi preciso sair da rotina, diversificar os hábitos para perceber que “alguma coisa” simplesmente mudou e isso é irremediável e eu não sei se eu me sinto aliviada ou culpada de ter precisado tanto para que eu pudesse enxergar o que sempre esteve aqui ao meu lado, o fato é: agora eu posso “ver” e só depende de mim o que irei fazer diante disso. Sim, porque a partir do momento em que abri os olhos a estrada se bifurcou diante de mim e, eu posso continuar na rua da “Inércia”, onde tudo acontece, mas nada muda e as contradições são meras coincidências do acaso...
Estive caminhando por essa rua há um longo tempo e vejo que as sementes que joguei pela estrada (se é que eu tenha mesmo semeado) não nasceram, porque na Inércia nada cresce, nada ganha vida e, tudo se resume à meras tentativas frustradas restritas a um padrão incoerente. ‘Nada, absolutamente nada, sai do lugar’, nem mesmo eu, que “caminhei” por tantos verões, cheguei a algum lugar. Se eu quiser eu posso continuar “tentando” e tentando e tentando... mas a Inércia só irá levar aos mesmos padrões e medos, às mesmas desilusões, às mesmas decepções... ela é um círculo constante de fracassos.
Existe agora um escape pela rua da “Ousadia”. Sim, ser ousado, a princípio, a mudar de caminho, mudar de direção e de conceitos. A Ousadia não nos propõe só a “concertar os erros”, mas a jogar o caderno inteiro fora e recomeçar, quantas vezes for preciso. Não é reaproveitar antigas teorias, mas abandonar tudo e reformular até mesmo as perguntas que levam a busca do inevitável. Ela permite abrir as portas, não sem medo do que pode haver no outro lado, mas com coragem para fechar novamente a porta e sair correndo se for preciso. A Ousadia se realiza no desconhecido, ela deseja novas conquistas e aproveita as oportunidades que lhe é imposta, porque se as sementes não brotaram, talvez seja a hora de mudar as flores.
A Ousadia encanta, mas exige desesperadamente a persistência no caminho ousado e cheio de obstáculos que se decidiu trilhar, mas a grande diferença entre os dois caminhos é que a maior parte da rua da Ousadia temos que andar sozinhos, na contramão dos que estão “voltando à Inércia e, muitas e muitas vezes estes tentarão nos deter. Serão muitos os que irão criticar e poucos os que ajudarão vencer os obstáculos. As circunstâncias que aprisiona-nos na Inércia ficarão mais densas, mais ardis quando a sede de mudança crescer. Os ventos, os ecos, os fantasmas de nós mesmos tentarão impedir e farão de tudo para que não passe de mais uma tentativa frustrada. É... nessa hora que muitos abandonam todos os sonhos, destituem de todas as forças e voltam a vagar ante o abismo das incertezas. Mas quando tudo começa a falhar, quando as ameaças da vida passam a ser reais e quando o medo passa a tomar conta de cada pulsar dentro do peito... essa hora indica que talvez seja a hora de mudar, de arriscar tudo em outra direção.

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