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O tom do seu silêncio

Hoje eu ouvi uma canção de amor Que entoa o tom do seu silêncio E o vazio de sua ausência E hoje eu senti o peso do tempo que passou Enquanto as flores dançam ao vento suave Eu olhei para o horizonte procurando por você Porque a saudade transborda a razão E a solidão já não pertence a mim Mas insiste em permanecer Hoje, eu só queria poder te dizer O quanto você faz falta, o quanto o tempo urge perdido Quando minhas canções não tem mais sua voz E tudo o que fica são as lembranças em cada sintonia Sem você aqui os dias não tem os mesmos sabores O outono perde todas as suas cores São só as notas de uma canção vazia
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Afinal, não somos árvores!

E se um dia você abrisse os olhos e tivesse diante de você uma tela com todos os momentos, bons e ruins, de sua vida, desenhados como um fluxograma e mostrando como cada decisão que você tomou, da mais simples às mais complexas, influenciaram diretamente no curso da sua história? É aquele velho papo de você é responsável pelas decisões que você toma e só depende de você e tal. Mas olhando para este mesmo fluxograma, com certeza houve momentos em que as suas decisões foram diretamente influenciadas por pessoas à sua volta. Seria justo que essas também fossem atribuídas a nós? Uma vez minha mãe fez com eu tirasse uma foto com meus irmãos e o papai noel. E eu não queria tirar essa foto porque eu sabia que o papai noel era meu tio disfarçado (nem tão disfarçado assim) e eu era uma criança chata e pronto. Claro que eu fiquei com uma cara de c* na foto, mostrando claramente que aquela decisão não era minha. Algumas coisas são de fato assim, principalmente quando a gente é criança e tem mães…

Como uma despedida

Eu fico imaginando como seria...
Uma história que não estivesse sido interrompida tão bruscamente, uma flor que não tivesse sido colhida. Passo horas pensando, revivendo, lembrando de momentos que foram únicos, detalhes que foram cruciais.
E é tão bom lembrar que fecho os olhos e volto àquele lugar de paz onde eu podia me sentir viva. Talvez hoje eu sobreviva pela capacidade de reviver, a meu modo, em minha mente, toda história e cada momento que já vivi.
E se eu fosse mudar alguma coisa, seria os momentos em que não o tive a meu lado.
Eu perco as horas me lembrando e revivendo. Me precipitando em um abismo de saudade e vazio, um desconhecido que já sei de cor, pois eu já decorei cada feição dessa dor que arde e me dilacera, pouco a pouco.
E eu fecho os olhos com mais força, porque a ausência sempre macula a perfeição da lembrança. Olhar as fotos dói tanto que é impossível me conter. É impossível não querer saltar nesse mar de solidão e vozes silenciadas pelo adeus.
Cada dia eu abro …

O arco-íres tem sete cores...

As vezes é preciso apenas um acorde e de repente há um mundo de sonhos ao nosso redor. A música tem um poder muito peculiar sobre mim. Todas me remetem ao mesmo lugar, uma época em que fazia sentido. Quando ouço músicas que ouvia há 12, talvez 15, anos eu consigo me transportar para momentos exatos, com detalhes quase tangíveis de alguma lembrança que ainda persiste através do tempo. Quando ouço uma música nova eu me pego pensando, imaginando, tendo discussões intermináveis em meus pensamentos. Eu sei todas as músicas que se tornariam ícones e marcantes e todas as que seriam repudiadas, como se fosse ontem...
Há estudos que conseguem mostrar o quanto a música pode influencia emoções, mas comigo é diferente. É como se cada música tivesse sua própria voz e conseguisse me dizer algo diferente do que ela realmente diz e mais, um simples farfalhar consegue me levar há um lugar especial, um santuário que construí com tudo aquilo que insisto em manter. 
Hoje em dia estamos vivendo de uma fo…

Sobre... como assim 2019 está acabando?!?

Quando estava findando 2018, uma das minhas "promessas" para 2019 era voltar escrever em meu blog periodicamente. Isso porque eu me sinto bem quando estou escrevendo é como uma terapia pessoal que me faz refletir muito sobre as coisas que vivencio e, principalmente, sinto.  Uma das coisas que sinto muita falta hoje em dia é poder me encontrar nas palavras. Por muito tempo, ler e escrever era meu refúgio. Fiz muitos amigos na "era da blogosfera", alguns que se perpetuam pelas mudanças do tempo e da vida, mas acima de tudo, eu conseguia lidar melhor com o "eu" que mantenho adormecido em mim.  2019 está acabando e tudo o que fiz foi escrever algumas poucas poesias, como já era de eu esperar, eu não levo muito a sério minhas resoluções de fim de ano, embora, categoricamente, a lista para 2020 já possuí uma gama de itens.  Eu sou uma pessoa muito metódica. E, não, isso não é algo bom. Já vi algumas pessoas falando "eu sou metódica" em uma entrevista…

Eterno Outono

Tão repentina parecia
Essa visão trágica pintada diante de meus olhos Entre folhas murchando, eu havia encontrado meu amado Ensanguentado e pálido caindo para sempre
Tão silencioso...
Ciente da minha presença Ele se virou para mim Seu olhar agonizante Um último suspiro E ele sussurrou "Tudo morre"
Diante dos meus olhos cheios de lágrimas Mortos e silenciosos Uma dourada folha de outono caindo Essa beleza murchando Este eterno outono Tão silencioso...

Sob o silêncio de Brumadinho

Pintaram de marrom meus sonhos Pintaram de sangue meus lírios Reescreveram minha história sob escombros Drenaram a vida dos meus rios.
Me produziu, prometeu andar comigo Me seduziu fazendo que eu acreditasse em seu amor Estendeu a morte por todo o meu caminho Deixando um rastro de lama, sangue e dor.
Sua ganância levou embora meus filhos E agora com seu ouro frio quer nos comprar Não me venha propôr seus golpes frios Seu dinheiro não pode nos calar.
E se pra você vale tudo nesse jogo Não vamos nos render à suas regras Pagarás o que deve ao meu povo E custará bem mais que suas moedas.