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Sentença de morte

Eu perdi as contas de quantas vezes abri a página de nova postagem, pra tentar dizer alguma coisa, e a fechei em branco ou com meros reticencias. "Não há palavras pra explicar o que eu sinto", já dizia o poeta!
Foi tudo tão de repente, em um momento estava tudo bem e, no momento seguinte, um mundo inteiro desabado sob meus pés. Não havia mais chão, nem se quer um ponto de apoio.
O telefone não tocava mais, eu tentei ligar!
Pouco mais de meia noite, ainda podia ouvir os estouros dos rojões saudando o novo ano, tocava uma música qualquer quando me veio a notícia, junto com os olhos tristes do meu pai.
Subiu aquele desespero quente pelos pés e senti o tremor das mãos, "é engano", tentei me convencer, mas o despespero nos rostos à minha volta me faziam enxergar.
Brotaram lágrimas em meus olhos, que rolavam incansáveis. Alguma coisa em mim mantia viva a esperança, ao passo que outra parte debatia para a realidade.
Ele se fôra!
Sentei me sozinha do outro lado da rua deserta, pensamentos dos últimos quatro anos afloravam em minha mente. A dor que eu, cuidadosamente, havia feito adormecer queimava em meu peito, implorando para despertar.
Não! Ele é só uma jovem criança, ainda não é chegada sua hora. Liguei!
A voz do outro lado era fria, incontida. Me lembrou uma outra voz, há quatro anos atrás... tive medo. Minutos depois eu já não podia manter silenciosa aquela dor, desperta, voraz, sedenta de minha alma... maior!
Como um gigante enfurecido destruindo razão e pensamento.
Fechei os olhos com força, mas não dormi. Pouco a pouco a madrugada ia silenciando, se acalmando, enquanto meu interior continuava ser devastado. O silêncio me sufocava. As lembranças brotavam como jardins em flores e eram destruidas bruscamente, uma após outra, lentamente.
O dia estava insuportavelmente quente, com aquele céu azul zombando da minha derrota. Sim, me sentia completamente derrotada sem se quer ter tido a chance de lutar. A morte, essa ingrata, havia me pegado de surpresa, sem deixar que eu dissesse ao menos "adeus".
Pela segunda vez, ela rouba meu tesouro e destrói a minha vida.
E, novamente, meus olhos confirmam cedo de mais a realidade. As mãos frias me lembram os antigos invernos e meu corpo dói diante dele, imóvel, sem vida, de olhos fechados... sem aquele sorriso macio e doce nos lábios.
Mais uma vez a vida me condena. De forma irremediável, sem eu estar pronta para suportar a mesma sentença. Cruel e eterna!

3 comentários:

  1. Se na fé você pode alcançar
    Um poder que do céu vem pra abençoar
    É muito triste relembrar
    Aqueles que morreram e entre nós não vão mais estar

    by: elcinho

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