Música: o antes e o agora

Música: o antes e o agora
A década de 80 é considerada a década da música. Também não é por menos... nesse período surgiram grandes composições que hoje dão sentido às canções tanto do mercado internacional quanto no nacional. Infelizmente não tive a honra de viver esse tempo, já que nasci em... bom, por alguns desses anos aí... mas hoje a maioria das músicas que ouço surgiram aí. De lá pra cá a música começou numa decadência, lenta no início, salvando muito da década de 90, alguma coisa do ano 2000 e... infelizmente chegando ao nível atual.
O que me encanta nas músicas antigas (me senti muito velha agora) é que, apesar dos arranjos simplificados e da pouca tecnologia emergente, a harmonia era fascinante, os tons soavam reais e a poesia... ah! quanta poesia linda! As letras eram mais precisas, completas e bem escritas, respeitando a leveza da gramática de forma encantadora, misturando a suavidade dos sons com a letras que faziam sentido e, no fundo, expressam sentimentos comuns e sinceros. 
Quem nunca se emocionou ouvindo Aquarela, de Toquinho, ou cantando Alegria Alegria de Caetano? Quem nunca curtiu Dire Straits, ou, apesar das letras desconexas, não se empolga com os Beatles? O que dizer de Legião Urbana, Bee Gees, Raul, Creedence, Tim Maia, ... e várias outras bandas com estilo próprio que conquistaram um público imenso seja pela simplicidade de suas canções, seja pela irreverência de suas letras ou pelo contexto de suas poesias.
A grande diferença daquela para esta época é o imediatismo. Hoje, poucas bandas que fazem parte do mercado escrevem pensando na música em si (bem poucas mesmo) e visam exclusivamente o barulho e o lucro que pode ter com o sucesso. Quase ninguém pensa em espalhar cultura, em educar pela música em cantar histórias... querem aparecer e nada mais. Isso vale, inclusive, para muitas bandas que eram realmente boas nos anos 80 e 90, antes de se contaminarem com essa miscigenação absurda. 
Particularmente, eu não sou contra a diferença de ritmos. Acho interessante até, ter vários tons, agradando vários gostos, apesar de ter minhas escolhas particulares. O que me incomoda é a salada que fazem. Não respeitam as notas, não respeitam as sinfonias... um mesmo cantor ou banda quer, de repente, agradar a todos os públicos e misturam vários estilos para criar um ritmo próprio e, por fim, descaracterizado. A música brasileira é de uma diversidade encantadora, tem rock, pop, punk, samba, bossa nova, sertanejo, rap e mpb. Esses estilos eram bem representados em sua categoria por nomes marcantes, mas de repente começaram a misturar samba com "alguma coisa" e criar o axé, misturaram axé com "não sei o que" e criaram o funk, mesclaram o sertanejo com "nada que presta" e surgiu o sertanejo universitário e por ai vai... nossa música perdeu a classe, perdeu a popularidade e, sobretudo, perdeu a essência. 
Como amante e estudante de tecnologia é um absurdo o que vou afirmar, mas é certo que em alguns aspectos a tecnologia não trouxe a evolução e sim o retrocesso. Tentaram implementar o que era bom e, atualmente, é difícil encontrar um álbum que valha a pena ser ouvido do início ao fim e incluo nessa bandas de rock que eu sou super fã. "O mundo está ao contrário e ninguém reparou", já dizia Cássia Eller, e a praga da ostentação contaminou essa forma de arte que dava voz aos sonhos...

Para acompanhar, nada melhor que Lenine com uma das poesias mais lindas do país:

Comentários

  1. Nossa, você falou tudo, a música decaiu demais de uns anos para cá, e a tecnologia não tem ajudado em nada. Os cantores não escrevem mais músicas que vem do coração, mas sim visando lucro e fama. Eu ainda escuto bastante Titãs, Legião Urbana, Chico Buarque, Arnaldo Antunes, e acho tão linda as composições cheias de sentimentos e coisas para pensar. Uma pena que o cenário musical esteja tão deteriorado.
    Adorei seu post. Beijos.

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  2. Tive a sorte de viver a década de 80! Curti desde Balão Mágico a Legião Urbana! Tb gosto de mta coisa dos anos 90, mas de 2000 pra cá... pouca coisa me interessa.

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