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Top 10 - O que o Brasileiro tem lido

Como já disse em outro tópico, toda semana eu olho os top de livros indicados pela Veja e, confesso, estou decepcionada com o povo brasileiro. Quando vejo a qualidade literária do que tem feito sucesso no Brasil, percebo que as pessoas não ligam mais para a história em si, mas se agregam ao modismo e fazem livros infrutíferos, com uma história pacata e plagiada, com personagens fúteis e sem emoção se tornarem best-silleres.

A triologia 50 Tons, de E. L. James, é uma prova disso. Os livros ocupam as posições 1, 3 e 4 entre os 10 mais, imerecidamente. Mas não vou entrar em delongas, já que minha opinião já foi dada.

O Lado Bom da Vida, de Matthew Quick, está, há 13 semanas entre os 10 mais, na segunda posição. História que rendeu a indicação ao oscar de melhor filme, melhor atriz e melhor ator em 2012. A história é cativante, impactante, surreal, triste e engraçada. O autor conseguiu mesclar, com sucesso, drama e comédia nos proporcionando uma leitura gostosa e super leve, daquelas que a gente começa a ler e lê... lê... lê e não quer parar até que tenha-se concluído. Enfim, ao contrário de tantos outros por aí, o livro é muito bom e merece estar entre os dez mais.

Na quinta posição está A Culpa É das Estrelas, de John Green. Que livro lindo! "A culpa é das estrelas narra o romance de dois adolescentes que se conhecem (e se apaixonam) em um Grupo de Apoio para Crianças com Câncer: Hazel, uma jovem de dezesseis anos que sobrevive graças a uma droga revolucionária que detém a metástase em seus pulmões, e Augustus Waters, de dezessete, ex-jogador de basquete que perdeu a perna para o osteosarcoma. Como Hazel, Gus é inteligente, tem ótimo senso de humor e gosta de brincar com os clichês do mundo do câncer - a principal arma dos dois para enfrentar a doença que lentamente drena a vida das pessoas. Inspirador, corajoso, irreverente e brutal, A culpa é das estrelas é a obra mais ambiciosa e emocionante de John Green, sobre a alegria e a tragédia que é viver e amar." (Sipnose). Tirando que a história trás no enredo um romancezinho típico e batido, a história  em si é totalmente cativante e interessante. 

Em sexto lugar a coletânea "Toda Poesia", de Paulo Leminski, ganhou destaque por seu romantismo e mistura de estilos orientais e ocidentais. Particularmente, achei o livro fraco (nem o li todo). 

Em sétimo lugar, Colleen Houck aparece com o 4º livro da série "A saga do Tigre", O Destino do Tigre, mais bem sucedido que os três anteriores, narra a busca pelo último presente da deusa Durga. Escrever livros em série está tão "na moda" que chega a ser chato. Na verdade, o que vejo é que todo escritor que ser uma J. K. Rowling da vida e lançar uma série que estoure, tanto na literatura, quanto no cinema. Mas as coisas não são bem assim, né, e essa invasão de livros em série dá uma canseira danada. Até porque, alguns escritores (como George R. R. Martin) conseguem ditar uma série com conteúdo e não ficar circulando os mesmos assuntos por vários livros, tornando a saga interessante e com um ar de "quero mais", mas a maioria escreve um fiasco de história com enredo repetitivo, cansativo e sem nenhum conteúdo. Sabe o que é isso? a monetização de tudo, da literatura, da música, do cinema... então ficar "enxendo linguiça" pode levar ao modismo exarcebado de hoje e render lucros pela quantidade de cópias vendidas. Isso é péssimo para nossa cultura, a inclusão midianista de ideias nos manipula facilmente levando a extinção de conceitos realmente importantes. Resumindo, o livro é ruim, a série é um fiasco.

Em oitavo, nono e décimo lugares estão, respectivamente, Garota Exemplar, de Gillian Flynn, Irresistível, de Sylvia Day e Insurgente, de Verônica Roth. Todos tem em comum uma história de uma garota super star, apaixonada por um garanhão poderoso, muito sexo, muita liberdade (ou libertinagem) em uma trama em que tudo dá certo e uma história com personagens insólitos e protagonistas que expressam a realidade de todo mundo... é isso mesmo, todo mundo se vê, de alguma maneira, nos protagonistas. Isso te é familiar? Quem leu a triologia 50 tons, identifcou na hora! É uma cópia da história, que é uma cópia de Crepúsculo. Da mesma forma que um ou dois anos atrás todo mundo resolveu escrever sobre anjos (culpa do Dan Brown com sua história "Anjos e Demônios") agora a moda é escrever romances "crepúsculo". Claro que se tivessem vampiros ou outros seres misticos, caracterizaria em "roubo de propriedade intelectual" então, a invés disso, resolveram-se criar personagens sem personalidades, alguém que pode ser qualquer um. Resultado: uma literatura chata e o mercado abarrotado de livros "plagiados" e pessoas vazias...

Só me resta dizer: Que saudade de Harry Potter, Percy Jackson e os Olimpianos, A Menina que Roubava Livros, A Cidade do Sol ou O Caçador de Pipas... estou sentindo falta da época em que tinha vontade de levar toda a livraria pra casa, todos os lançamentos... 

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