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Despedida


Ela saiu com os passos apressados, não queria olhar para trás, não podia ter certeza. Com a cabeça baixa e os olhos molhados, tentou disfarçar seu desespero enquanto caminhava. Naquele momento não podia encarar o mundo, não podia dizer mais nada... 
Estranhamente o caminho a pareceu mais longe, subiu as ruas devagar, com o sol refletindo em seu olhar. As lágrimas teimavam em escorrer, e tentava desviar seus pensamentos, pelo menos, até chegar em casa. Pessoas voltavam para seus lares depois de um dia de serviço, carros movimentavam as ruas, ficava um cheiro breve no ar, mas nada daquilo a despertava de sua dor. Depois de alguns passos entrou em seu quarto já escuro. O dia nublado fez anoitecer mais cedo, desabou sobre a cama entre soluços, palavras não ditas e o reflexos daqueles olhos que teimavam em permanecer. 
Ela não disse nada do que havia planejado, frente a frente as palavras se esvaíram uma a uma. Só se inclinava ao pulsar acelerado dentro do peito, enquanto cada frase surgia em seus ouvidos como uma canção triste. Tentava não demonstrar fraqueza. Enquanto se perdia naquele olhar, se contia ao calor da presença. Seu corpo reconhecia quem estava lá e implorava para que tudo acabasse em um abraço. Mas já não havia o calor naqueles braços... 
Deitada de costas no chão frio, sentia cada ponta da decepção percorrer em suas veias, como um veneno que alimenta sua mente. As promessas não cumpridas, os planos desfeitos, as mentiras... de repente viram munição contra sua própria alma. Havia tanta coisa para ser dita, mas o silêncio interferiu de maneira violenta. Agora no vento só o perfume e as lembranças faziam parte da cena.
Flores mortas no jardim, sombras escuras na parede, todas as vozes repetindo a mesma canção, dentro do peito só ela mesma sabia o que sentia, por mais que as pessoas dissessem ou tentassem entender. Ninguém podia arrancar o desespero por ter perdido seu grande amor, ninguém podia imaginar que todas as demonstrações de carinho eram uma forma de voltar a ter contato com a realidade. Ninguém imaginava que ela entregou todos os seus ideais, todos os seus planos e que, depois de muito tempo, havia voltado a sonhar. Naquele momento, ao se dizer adeus, não era apenas um romance que se desfazia, mas era uma parte dela mesma que acabava de ir embora. 

Um comentário:

  1. Muito lindo
    Ps: Pode parecer estranho mas de certa forma eu identifiquei sua personagem com a minha, como se fosse uma continuação da minha historia... caso você queira ver e dar sua opinião a respeito ta aqui : http://brunnylove.blogspot.com/2011/12/marcas-da-vinganca.html

    Parabéns pelo Blog

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