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Era Uma Vez


Era uma vez...
A falta que eu sinto de alguns anos atrás desperta saudades. Tudo era tão simples e tão normal que parecia vivo, mas só agora que o tempo passou que percebo que aquela simplicidade era cativante.
Hoje a tecnologia modernizou os sentimentos, até para pensar basta alguns cliques.
Não sinto mais o cheiro de terra molhada pela chuva fina que vinha apagar a poeira das ruas. Os terrenos baldios que viravam campinhos pra molecada jogar bola, hoje estão cheios de construções gigantescas e frias. Na primavera são poucos ipês que florescem e o horizonte é feito de concreto.
Ah! Eu tenho saudade de acordar bem cedinho e ir para o colégio e de matar aula com amigos pra jogar cartas no corredor da escola. Sinto falta da emoção de comprar um CD da minha banda preferida e mostrar empolgada a coleção de figurinhas da copa. Era bom escreve poemas com letras borradas pelo perfume que jogava no papel, andar quilômetros para encontrar um amigo, correr no orelhão só para marcar um encontro...
Ah! E como era divertido pular a janela do quarto quando estava de castigo.
Hoje não tem nada disso...
Me lembro de uma época que não tinha computador, nem celular (pelo menos pra nós) e a gente tinha que se agrupar na biblioteca para fazer os trabalhos de escola. Fazia margens com canetinha e cartazes com purpurina. Ficava até altas horas da noite sentados no meio fio, ao redor de uma fogueirinha, contando casos de assombração, porque ninguém tinha MSN ou ficava vigiando ORKUT. Era tão bom juntar todo mundo na varanda para brincar de "stop" ou "jogo da verdade" ou quando ia brincar de "caí no poço" pra tentar ganhar um beijo do vizinho.
E quando alguém ficava doente ia todo mundo ajudá-lo a tomar remédios, comer pipoca (frita na panela, porque não tinha microondas) e jogar super Mário. E como tenho saudade de me apaixonar em cada esquina, ligar no meio da noite pra pedir conselhos, esperar chegar final de semana pra ir passear na praça e tomar sorvete e andar por uma longa distancia até chegar em casa.
É... O tempo passa depressa...
e as poucas e velhas amizades foram trocadas por contatos de relacionamentos virtuais!
Que pena!!!
Nada é igual e aquele tempo não volta mais!

3 comentários:

  1. E existem tolos que ousam dizer que o homem jamais construirá uma máquina para viagens pelo tempo. E quem precisa?
    Sua crônica me fez, num lapso, percorrer minha vida novamente e extasiar-me.
    Agora acredito em vidas passadas, é só buscá-las em nossas mentes. A vida que passei, agora graças a você, que é um anjo enviado, repassei em detalhes e com tesão.
    Incondicionalmente seu fan e gloriosamente apaixonado por sua inteligência, sem falar de suas belezas e encantos.

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