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Madrugada

As vezes o silêncio é tão forte...
É, fazia tempo que a noite não me roubava o sono
e hoje lá fora as sombras permanecem.
Sentada no escuro, sob a lua eu sinto a brisa vazia
que inunda o ar e os pensamentos com versos sem sentidos.
As palavras fogem de mim...
Meus olhos se perdem no vulto do horizonte
os murmúrios da noite são doentes
ardentes...
e não é a saudade que fere
mas a ausência que condena.
Eu fecho os olhos com força
e as lágrimas rolam
eu não sei por que esse desespero me invade
estou cansada de fingir que está tudo bem.
As horas passam e as pessoas dormem
as pessoas dormem...
Eu já me acostumei com essa solidão
quando de madrugada me inquieto
e derramo versos,
mas hoje essa dor no peito está ferindo
e não há ninguém
nunca há ninguém para aplacar esse vazio.
Fazia tempo que não temia as estrelas
fazia tempo que não sentia esse frio...
Não é a primeira vez que tenho medo do escuro
e eu pensei que esse grito na garganta
iria passar com vento,
mas foi o mesmo vento
que se perdeu nos sussurros dessa madrugada
deixando o desespero no olhar.

2 comentários:

  1. Parabéns, adorei esse!
    Vc é muito talentosa =)

    Bjao


    Léo

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  2. Simplesmente fantástico,Marcela!A musicalidade,o ritmo, o lirismo,e até o nostalgismo,atribuem aos seus poemas "alados" um sentido ímpar.Elias Antônio Alves Sobrinho

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